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As obras da A4…
Debaixo de chuva intensa
Eu faço a minha viagem
A estrada fica imensa
De curta e pouca aragem
Não é assim que eu gosto
Mas lá tem que vir a ser
Nessa estrada não encosto
Pois posso vir a sofrer
E a chuva já é sofrimento
Para quem tem que conduzir
Vai debaixo de um sofrimento
Mui difícil de aduzir
Mas o pior nem é a chuva
Mas sim as obras constantes
Que me põe a vista turva
Nas portagens que são bastantes
Há três anos a esta parte
Que sigo nela diariamente
Em Águas Santas, ai que arte
Eles dão cabo da minha mente
Sempre que escorre um chuvisco
Eles encerram uma das vias
Vem-se a velocidade de pisco
Lá se vão nossas alegrias
Mas pra gaveta é por inteiro
Não cortam nenhuma via
É um Governo que dá dinheiro
A empresários sem categoria
Mas cuidado com o pagamento
Que se faz com dinheiro nosso
Quando a estrada é um tormento
Que mais parece que é um fosso
Da A4 estou a falar
A mais reles das auto-estradas
É o exemplo do Norte a dar
Nas auto-estradas mais maradas
Depois há os acidentes
Cuja culpa morre solteira
E no meio ficam contentes
E os outros fazem a asneira
Mas no meio os empresários
Dão uma de amizade
Julgando de nós otários
Dão a mão à caridade
E lá vão as televisões
Como loucas a correr
Para mostrar os aldrabões
Como loucos no seu saber
Sabem todos por demais
Que ninguém aqui o duvide
São os Motas e outros que tais
E se mostram como gente humilde
Ando farto desta gente
E de tudo o que eles façam
Eu a Deus que sou temente
Tenho medo, eles me laçam
Laçam-me com cordas fortes
E eu não sei como fugir
Mas que raio de sortes
Tinham que aqui vir a sair
Armindo Loureiro – 14/12/2011 – 23H55
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