quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

(ONTEM… HOJE…)



Ontem,
houve vida,
houve o nascer a florir de um ventre primaveril.
Ontem,
houve infância
(circunstância, apenas, do existir…)
Houve casa de paredes, agora caídas
aos pés do rio da vida…
Houve, ontem, melodias de interior harmonia
na inocência da leitura da Cartilha…
Houve o ar, a plenos pulmões a cantar magias
do vir-a- ser…

Ontem
(como hoje)
houve o som de uma guitarra de lágrima
a escorrer mágica esperança, ao longo do rio pachorrento,
sem um lamento, pisando os pés de uma velha cidade…
Fio do pensamento conduz-me, solenemente, à origem das lágrimas choradas…
doentes de amor, feridas, atraiçoadas.

Ontem,
houve margens-âncora-na-acústica-dos –acordes-primaveris-dos-enfeites-da- alma!
Houve vielas empedradas a sangrar baladas.
Houve luz de luar brilhante a cantar o choro de Pedro e Inês…
Houve capas negras a cobrir beijos de amor, juras desatinadas de bocas entrelaçadas
que acabavam estendidas, nos choupos de folhas avermelhadas…

Como cantar as horas do Amor que houve?
Como exprimir a tensão passional do corpo de sensações,
de carícias partidas com os acordes das guitarras?

Ontem,
houve o Hoje! a permanente inquietação…
a eterna busca do equilíbrio ,que foi a tua canção!

Hoje,
há o real Presente na dúvida Futura!
Hoje,
há o inevitável Ontem do saboroso Presente, no enigmático Amanhã!

Ontem, tudo passava despercebido nas folhas de uma “Sebenta”…
…ouvindo o canto lançado no nevoeiro pelo despertar do Mondego…
…sulcado de gaivotas amedrontadas pelo mar tempestuoso
do nosso olhar ansioso…

Hoje,
Há um afastar ritual da presença habitual…
Hoje, COIMBRA…
…cidade-droga-dos –sentidos- longe-sempre –vivos!
Hoje-Cidade-MULHER-METÁFORA- DE MIM-A -ARDER…
…paraíso perdido no onírico das feromonas-a-arder…

Marilisa Ribeiro
C12M-90- (mqc) -Dez/011

Nenhum comentário: