quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Navegando


A cama pareci levantar-se,
Não conseguia dormir,
Tinha o sono esmagado,
Estava exausta,
De tanto meditar.
Contorcia-me,
Para um lado,
Com a saudade que me fustigava,
Para o outro,
Era ceifada,
Pelos meus devaneios.
Lá fora a noite,
Não acudia,
Ouvia o murmúrio do vento
Que transportava os meus lamentos.
Naveguei a noite inteira,
Como um barco deserto,
Em águas turvas,
Afoguei-me em lágrimas revoltas,
Que me embalaram,
Com a sua fragrância,
Senti o sabor do mar!
Num choro vazio e calado,
Mergulhei numa tempestade eterna,
Que danosa viagem!
Assim fiquei até amanhecer.
Nada fui,
Nada sou,
Quando ao pé de ti não estou.
Procurei por ti,
Encontrei-te ao amanhecer,
Não sei a onde estives-te,
Nem quero saber,
O que importa,
É que estás aqui
E que és
E serás sempre o meu refúgio.
Transporta-me,
Para onde fores,
Que eu vou …contigo!


Telma Estêvão

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