terça-feira, 20 de dezembro de 2011

VISÕES



(Raphael Davalle)

Ouço o silêncio em doses brutas e viscerais de cuidado. Pareço esmaecer às vistas do universo. Algo transforma meu ser, colocando capas e escudos novos, me preparando para o combate contra as utopias e inquietude, provocadas pela solidão. Sinto ao fundo do horizonte um som de súplica no mínimo suicida se aproximando, feito um bando de coiotes querendo saciar a fome oblonga e esperando a presa certa para atacar. A obnubilação se mostra, a cada momento, a maior inimiga dos meus dias e noites de vida.

Imagino estar num labirinto ou numa redoma de vidro repleto de sádicos espinhos, onde dou voltas e mais voltas para chegar ao mesmo lugar, sem esperanças de sair deste assoberbado emaranhado de ferimentos pérfuro-cortantes que castigaram meu corpo e minha mente, que estão cansados e calejados pela condenação à solidão sombria.

Será que meu destino nasceu natimorto? Ou o vazio de estirpe será meu eterno companheiro de vida?

Questiono-me. Busco razões e intempéries para achar o antídoto que me fará exercer a guinada e reagir quimicamente em prol da liberdade espiritual. Tenho visões alucinógenas e guerreáveis, edemáticas à flor da pele. Por algumas vezes fiquei no tormentoso ninho das cobras. Em outros momentos, fui jogado na masmorra dos pecados, para servir de companhia aos falcões negros que ali vivem. Exacerbar limites parece tórrido, sem vida e regado a veneno vagaroso, porém agudo e mortal. Mas ter forças ocultas e usá-las em favor do bem pode ser a chave mestre para estancar o sangue das angústias e furar as rochas dos sofrimentos.

Quando o antídoto ficar curtido e preparado para ser aplicado nos combates letais que enfrentarei, será o momento ideal de punir os males com o isolamento na escuridão e absorver a bondade para colocá-la na tenda dos milagres, com a graça da divindade e as homenagens da redenção da alma. Criarei o eneágono da positividade, para que as visões do futuro me indiquem o caminho certo para a consagração e o troféu exato da magnitude, tacanheando a ponte para as conquistas.

Que assim seja!

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