segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ratice que eu usava…


Peço-te para bailares comigo
E tu dizes-me que não
E eu fico contigo sentido
Já que és a minha paixão

Sei que não te sou indiferente
E também que não me queres mal
Sei também que não ficas contente
Quando o teu sentir é ao meu igual

Mas para não ouvir falatórios
Como é uso no interior
Onde as velhas fazem velórios
Para ratar em cada amor

São assim os bailes de aldeia
Onde toda a gente ali roda
E onde o coração se enleia
E as velhas da minha aldeia
Não dançam por não ser moda

Mas falam a bom falar
Das miúdas que ali dançam
Quando os rapazes as apertar
Por muito as quererem amar
Suas bocas loucas logo lançam

Mais valia ficarem em casa
A curtir sua aspereza
Para ver naquilo que dava
Suas bocas sem beleza

Se as velhas me ouvissem
Enchiam-me todo de pragas
Pois era quase como me vissem
Muito perto das suas mágoas

Era assim que acontecia
Quando aos bailes eu ia
E me dava grande alegria
Com as bocas que eu lhes dizia

Mandava-as ir para o ninho
Já não era hora de ali andarem
E passado um bocadinho
Era vê-las a marcharem

Marchavam e iam embora
Pois não gostavam de bocas
Quem me dera ser agora
Que as punha muito loucas

Eu no tempo era endiabrado
E era disso que eu gostava
Lhes mandava o meu recado
Era aquilo que mais amava

Nem me importava se dançava
Porque nas bocas ficava feliz
Era isso que eu mais amava
Foi sempre isso que eu mais quis

Armindo Loureiro

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