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QUATRO PENAS
Quatro penas, simplesmente num ser,
Fazem um cargo, por demais pesado;
Quem todas ainda não conhecer,
Irá ter algumas para sofrer,
E assim cumprir o seu próprio fado…
Para o corpo, até serão penas leves,
Sem terem enorme peso a valer;
Contudo, dentro dele, pesam neves,
Causando-nos como que frias febres,
E muito difíceis de combater...
Dessas negras penas de padecer,
O ódio, tem presença vincada,
A amizade que acabou por morrer,
Um grande amor, a ter de se esquecer,
E uma cruel traição, inesperada…
II
Ter-se uma amizade é ter-se riqueza,
E às vezes chegando, sem se contar;
Porém se a dada altura há briga acesa,
O certo é que desde aí, concerteza,
Uma pena a alma, irá carregar…
Como a dor dum punhal ou dum arpão,
São os efeitos dessas penas feias,
Conhecidas por ódio e por traição,
E que arrasam o nosso coração,
Depois de nos terem minado as veias…
E quando nos incendeia o amor,
Faz a nossa alma até ficar em brasa;
Mas se é gerada, ideia, contra ideia,
O então férreo elo, desencadeia,
E logo, tudo o que era bom, se arrasa…
III
Tais penas, visíveis ou encobertas,
Tais pesadas penas do coração,
Deixam-nos doridas chagas, abertas;
E é mesmo uma pena, essas penas certas,
Ficarem na nossa recordação!...
Maria do Sameiro Matos
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