terça-feira, 15 de novembro de 2011

A CONDIÇÃO DO POETA


Disseram-me certo dia,
Que o poeta, esse coitado
Volta-se p’rá poesia
Por não passar dum frustrado.

Sorri, talvez convencida
Mas frustração, no entanto
Dá muita vez, à partida
A um poema, enorme encanto.

Contudo, tal julgamento
À condição do poeta
Motivara-me ao intento
Duma resposta correcta

Respondi, que o é, talvez
Por sentir, como ninguém
A fraqueza e pequenez
Das coisas que a vida tem.

E pelo amargo conflito
De saber que tem razão
Numa mensagem, que é grito
E às vezes, soando a vão...

Ainda pela injustiça
Que de si ouve dizer:
De padecer de preguiça
Ou não ter mais que fazer...

Também pela vasta lista
De apodos, de “nota preta”
Tais como: ser Narcisista
E andar armado, em vedeta.

E por fim, pela agravante
De ser aquele mortal
Tido por extravagante
E ele saber-se normal!

Maria do Sameiro Matos

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