Ainda brilha a foice verde do teu olhar
na penumbra da cortina
da minha timidez
a tua voz corria entre os seixos devagar
inundava-me cristalina
a tua nudez
tuas mãos nas minhas mãos de par em par
erguiam na luz matutina
voos de avidez
lembro-me dos teus ombros e do luar
sob o lençol a carne vespertina
de se extinguir a palidez
oiço o rumor dos teus lábios ao despertar
o perfume da minha flor infinita
e a inevitável insensatez
insinuaste-te ou pareceu-me ouvir-te respirar
de súbito neste ínterim da escrita
ou ficaste quieta no talvez
como sempre
Lisboa, 24 de Março de 2012
Carlos Vieira
“Girl Reading a letter at an open window” Vermeer
Ainda brilha a foice verde do teu olhar
na penumbra da cortina
da minha timidez
a tua voz corria entre os seixos devagar
inundava-me cristalina
a tua nudez
tuas mãos nas minhas mãos de par em par
erguiam na luz matutina
voos de avidez
lembro-me dos teus ombros e do luar
sob o lençol a carne vespertina
de se extinguir a palidez
oiço o rumor dos teus lábios ao despertar
o perfume da minha flor infinita
e a inevitável insensatez
insinuaste-te ou pareceu-me ouvir-te respirar
de súbito neste ínterim da escrita
ou ficaste quieta no talvez
como sempre
Lisboa, 24 de Março de 2012
Carlos Vieira
“Girl Reading a letter at an open window” Vermeer


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