quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O meu anjo


Cai,
De um céu sombrio,
Mas voltei a voar…
Voei nas asas quentes
E macias de um anjo…o meu anjo.
Suspirei em silêncio
E embarquei,
Numa viagem delirante,
Encontrei o infinito…
Arrastada pela brisa
E pelo murmúrio do mar,
Eu sobrevoei-o e enlouqueci,
Com as suas vagas agitadas
E o seu cheiro húmido…morri.
A lua,
Veio com a noite,
Que se despiu
E encarnou com perfeição,
Uma outra pele…
Dançou e flutuou,
Até ser dia…
Os seus gestos e as suas carícias,
São agora o nosso código
E a nossa linguagem secreta.
O ar transbordava em delírio,
O vento vinha e embalava,
Com movimentos os nossos afagos
E arrastava os nossos beijos…até ao céu.
A noite foi pequena,
Para tantas luzes,
Que estremeciam,
Como se acordassem,
Pela primeira vez.
Não queriam descansar
Nem esfriar o desejo…queriam-se manter acesas…
Era com dor que a noite,
Dava lugar ao dia…
Deixando-lhe,
Pegadas infinitas, para lhe servirem de guia…



Telma Estêvão

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