skip to main |
skip to sidebar
LONGE E TÃO PERTO
No íngreme dos rochedos
o azul cintila no balançar das ondas.
Ladeio-me de colinas verdes
e de manhãs raiadas de aromas.
Lá em baixo na solidão das águas
alguém contempla no olhar
a circunstância das coisas…
Desço minha infância,
em trilhos altos e estreitos das rochas,
e gestos de criança e de homens cansados
passam-me entre as pálpebras.
Propagam-se cascos em caminhos selvagens
e tilintam chocalhos nas tenras pastagens –
entre muros de flores geometricamente fechados.
Escurece a seiva na orla dos horizontes
esvaindo-se a luz e o cantar de ribeiras
adormecido nos montes.
Aqui perto, e tão longe,
espreito o rouquejar das rãs,
e deixo-me ir no desejo de mãos paternas
inalando profundas veredas
esculpidas na memória.
Por Nelson Moniz
Nenhum comentário:
Postar um comentário