sábado, 6 de agosto de 2011

AMOR de DESESPERO

O desesperado amor dos desgarrados
dividido numa lata de conserva
e num sexo espalhado pelo chão

O desesperado amor dos desgarrados
perdido numa rodovista
vesga em cada curva

é uma verdade convencida sem escrúpulo
porque o amor é o desespero que sorri
sorrir você é a loucura que acalma

O desesperado amor dos desgarrados
é o Rei de Copas sentado numa pedra
abandonado da sorte e da trapaça

Eu subo no trem disfarçado de mim mesmo,
a roupa-amarrotada é o pigarro
da alma detonada

eu apenas sei amar porque não tenho ninguém,
eu piso na estrada quando a sombra
dorme na noite escura

tão amante da tua ideia
que no embornal levo teu cheiro
preparado no pão

e desgarrado num amor de desespero
esporeio o cavalo baderneiro
farreando a verdade mal contada

no desgarro do amor desesperado
eu colho no orquidário
o teu olhar pulsante de promessa

ventindo o meu passo de cambaio


ERIKO ALVYM

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