sábado, 13 de agosto de 2011

POEMA PARA MEU PAI


(que tinha nome de rio)

O meu pai: Francisco,
o Véio Chico,
tinha nome de Rio.

Como um rio, passou,
deixando a saudade de suas águas
no leito seco e calcinado do meu peito.

Meu Pai era um rio caudaloso,
no seu modo rude e intenso
de viver e sustentar
radicalizadas opiniões.

Não foi famoso,
não ganhou medalhas,
não recebeu subornos,
não frequentou escolas,
- nem lhe sabendo explicar
a letra bonita -
mas criou, com amor,
três filhos:
ilhas protegidas em leu leito,
que não secava nem em tempos
de ausência de moedas
ou de chuvas.

O meu pai faz anos que evaporou,
virando nuvem a sombrear-me o caminho.
A lembrança de meu Pai é o meu caminho.
Ele, que sempre se espelhou no PAI.

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