
De novo, não mais que de repente, a vida ensina aquilo que já devíamos nascer sabendo.
Que ser assim, da forma que o meio me torna, nessa metamorfose dissimulada, na loucura de saber quem sou, de nada adianta.
Do que adiantaria os sorrisos sem as lágrimas ? E os momentos sem as pessoas ?
Talvez os poucos estivessem certos quando disseram que definir-se é limitar-se; e nessa de ser infindo do que me torna limitado; nessa loucura que me alimenta e me faz conhecer um novo 'eu' cada vez mais novo e melhor, ou pior do que ontem, do que amanhã e consequentemente do que hoje, vejo que é tudo muito mais complicado do que parece realmente ser.
Ai tu vem, e tenta mais uma vez me enxergar da forma mais superficial, esquecendo que sou humano e toda vez que me torno humano, me vejo imperfeito, feito, perfeito.
Tu vem cheio de cristais nos olhos e lambe o meu lado substancial, enche a boca do sabor da minha alma, se embreaga, e aos poucos também se alimenta da minha loucura, insana, instantânea;
Não, eu não sou os teus olhos, a tua boca, teus ouvidos, teu nariz, teu tato, teu peito. Sou definitivamente o que talvez outrora ou ainda no futuro tardio, queira ver, beijar, ouvir, cheirar, tocar, sentir.
Ainda sim, me lembro de você reclamando, num instante ou outro, que sou um jogador fatal, que brinca de ser sedutor, vampiro e suga toda tua paz, tua razão, tão sagaz; reclama que eu preciso crescer, amadurecer, evoluir; quer que eu faça coisas que eu nunca talvez faria, mas é melhor dizer que fiz;
E a conclusão de todo esse paradoxo tamanho é que, apesar dessas palavras sem nexo vivo, é que na dor se encontra prazer, e sendo assim, talvez eu seja, um mal necessário.

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